Um olhar diferenciado e uma escuta atenta nos processos seletivos podem fazer toda diferença.

Muito tem se falado sobre a grande demanda de profissionais em busca de uma oportunidade de emprego e que não tem conseguido êxito nesta empreitada.
Os profissionais estão despreparados? Faltam profissionais qualificados?
Há controversas, a meu ver… Existem sim profissionais despreparados e que precisam se qualificar, atualizar e se desenvolver para entrar ou retornar ao mercado de trabalho. No entanto, existem muitos profissionais que tem dedicado seu tempo para aprimorar seus conhecimentos técnicos, alguns voltando à sala de aula, investindo seus parcos recursos financeiros para angariarem uma chance que os façam resgatar a autoestima.
Eu penso que os profissionais que estão à frente dos processos seletivos, sejam do próprio RH da empresa ou consultores contratados, precisam trabalhar algumas questões importantes com os requisitantes das vagas e / ou diretores das empresas.
Muitas vezes, o perfil da vaga vem definido, mas não necessariamente precisa ser intocável…
É imperativo que nós, profissionais de seleção que estamos incumbidos de tal tarefa, saibamos que nosso papel vai muito além de apenas recrutar e seguir um “script”. Nosso conhecimento humano deve ser explorado positivamente e, sempre que for possível, negociar com os requisitantes das vagas uma flexibilidade nos perfis demandados.
Digo isto porque em muitas situações em minha experiência encontrei profissionais talentosos e que atenderiam muito bem a vaga à qual estavam pleiteando, ainda que seu perfil estivesse fora do que fora traçado. O que fazer nesses casos? Desconsiderar o nosso trabalho e nossa percepção apenas porque o (a) candidato (a) não condiz com o perfil determinado?
Em minha opinião, quando sou contratada pela empresa para desenvolver um processo de seleção, tenho sempre em mente que estarei aberta para conhecer e avaliar candidatos que melhor atendam a função (para isso sempre busco compreender exatamente qual o trabalho que esperam do profissional), mesmo que estejam fora do “perfil” que a empresa definiu.
Não estou dizendo que não acato as determinações da empresa contratante, ao contrário, quero dizer que o meu trabalho deve ir além de simplesmente recrutar… Procuro mostrar à empresa que outros profissionais que se destacaram no processo seletivo podem perfeitamente atender as necessidades da empresa.
Isso dá um pouco mais de trabalho? Talvez sim… É um tanto arriscado não seguir a risca o que foi solicitado? Talvez sim…
Mas, tenho certeza de que estou cumprindo meu papel da melhor forma, sendo honesta com candidatos e contratantes.
Talvez fosse mais fácil seguir as orientações sem questionar, mas penso que não estaria fazendo o meu trabalho como acredito que tenha que fazê-lo.
O que sei é que essa conduta que adoto há mais de 18 anos fez com que muitos profissionais fossem contratados, pois consegui enxergar neles o que muitas vezes um currículo não revela… Como se consegue isso? Ouvindo… Uma escuta diferenciada numa entrevista sem pressa, regada com dignidade, respeito e simpatia.
Além dos testes e provas situacionais (nunca vexatórias), uma entrevista bem feita nos fornece condições de avaliar muitos aspectos comportamentais que atualmente são fundamentais para quaisquer áreas de atuação do profissional.
Fica aqui minha dica para que os colegas Gestores de Pessoas possam ouvir mais e buscar enxergar o que está além… Sem preconceitos, prejulgamentos ou coisa do tipo. Buscar o brilho nos olhos daquele que está diante de nós, independente de ser inexperiente ou não. De ter determinado conhecimento técnico ou não… E assim, fazermos de fato a diferença!

Eliane Nunes Viana
Psicóloga
Consultora de Gestão de Pessoas
novavisaosocialrh.com.br
E-mail: eliane@rhnovavisaosocial.com.br

Revendo conduta para gestão se pessoas

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